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06/06/2017- De avô para neto: três gerações do café


 Quando tinha apenas 6 anos, o cafeicultor Belmiro Vacari, hoje com 82 anos, já ajudava na produção de café em Gabriel Monteiro. Nos últimos oito anos, o negócio ganhou (mais) força com a participação do filho Valdemir Vacari, 52 anos, e do neto João Tiago Vacari, 25 anos.

Antes de focar no café, Valdemir trabalhava com pecuária leiteira. Mas com a desvalorização do produto e, devido à rotina desgastante, optou em alavancar os negócios do seu pai. Após a dedicação do filho, a produção passou de aproximadamente três mil pés, para 53 mil, investimento que aconteceu aos poucos.  

Antes, o cafezal produzia menos e apenas o tipo de café sarchimor obatã, agora ganhou as variedades icatu e acauã. A plantação de Iiatu é considerada de porte alto e bastante resistente a doenças fúngicas. A planta que produz o café acauã é mais baixa, também tolerante a fungos e é conhecida por se desenvolver bem em períodos de estiagem. 

PRODUÇÃO

No ano passado, a propriedade colheu um total de 500 sacas de café em coco (seco), provenientes de 10 mil pés. O número é considerado positivo para os agricultores. Porém, Valdemir lembra que as plantas que produziram em 2016 não entram na safra do café deste ano, já que a colheita é feita a cada dois anos.

Para 2017, a expectativa é colher a primeira leva das novas variedades da propriedade. Por conta dos pés serem novos, os produtores acreditam que o número deste ano ficará abaixo da média de Gabriel Monteiro, que é de 25 a 35 sacas de café limpo.

O valor médio de uma saca de 40 quilos de café em coco é de R$ 140, enquanto a saca de 60 quilos do limpo é em torno de R$ 450 a R$ 480. “Esse valor dá uma boa renda para o campo, porque só temos despesa e mão de obra praticamente na colheita, e no plantio. O investimento mais alto é no plantio, que é em torno de R$ 15 mil por hectare. Hoje, não pensaria em voltar para o leite”, explica Valdemir. O trato com a plantação consiste apenas em adubar o solo. 

MECANIZAÇÃO

Além do clima de entusiasmo com as novas variedades plantadas na propriedade, os Vacaris também estão satisfeitos com a mecanização da colheita. “Hoje não temos funcionários. As máquinas fazem tudo, até pegar o café do chão”, conta Valdemir.

Ele se refere à recolhedora de café, adquirida pela família em 2015. A máquina recolhe o café que cai no chão e substitui o trabalho manual. “Não temos nem enxada. A peneira a gente usa em último caso”, completa o filho do senhor Belmiro.

Em 2014, o município recebeu uma colheitadeira por meio do projeto Microbacias II, conta a chefe da Casa de Agricultura de Gabriel Monteiro, Maria Venina Barbosa Loli. Para utilizar a máquina, os agricultores devem fazer um agendamento prévio. O valor é cobrado por hora, e a associação disponibiliza um profissional para dirigir o veículo.  

A colheitadeira e a recolhedora são complementares. Graças à mecanização da colheita, a produção do café aumentou consideravelmente. Belmiro costumava tirar até 80 sacas em um alqueire, e hoje com a máquina são 450. O fato do café não tocar no solo devido à colheitadeira, também melhora a qualidade do fruto e alguns produtores conseguem aumentar em R$ 20 o valor recebido pela saca.

O maquinário custou R$ 556.656, sendo que 70% foi financiado pelo projeto estadual e o restante foi financiado pela Associação dos Produtores Rurais de Gabriel Monteiro, por meio da  FEAP (Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista), recurso da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Vale destacar que Gabriel Monteiro já foi considerado um polo da cafeicultura no Estado de São Paulo. Assim como aconteceu com outros municípios, a cidade também foi prejudicada com a crise do café e várias propriedades pararam de produzir o fruto. Com a mecanização, a expectativa é incentivar a produção dos pequenos e médios agricultores.

 

Fonte: Emmanuela Zambon - Facilita Conteúdo / Assessoria de Comunicação do Siran

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