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05/11/2019- SIRAN completa 77 anos e se reinventa


Na última sexta-feira (25), o SIRAN (Sindicato Rural da Alta Noroeste) completou 77 anos de existência. Em oito décadas incompletas, a entidade que surgiu como Associação dos Invernistas e Criadores de Gado da Alta Noroeste, e passou a chamar-se ARAN (Associação Rural da Alta Noroeste), até tornar-se sindicato, em 1964, cresceu em tamanho e importância, mas também enfrentou problemas. Duas das maiores foram a atual crise econômica nacional e o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, em 2017, que fez com que as receitas da instituição despencassem.

Para enfrentar as situações adversas e viabilizar a permanência do SIRAN na linha de frente do desenvolvimento de Araçatuba, assim como do Noroeste Paulista, foi preciso coragem, empreendedorismo e fôlego. Essas qualidades estão reunidas no perfil do atual presidente do sindicato, Fábio Brancato. Homem do campo, jovem e arrojado, ele conseguiu manter o número de associados, que hoje gira em torno de 430, e promoveu ações que fazem com que a entidade seja considerada um dos maiores e mais tradicionais sindicatos da região, uma das entidades classistas mais respeitadas do Estado e do País. Formador de opinião, o SIRAN se posiciona e age em relação a todo e qualquer tema relativo ao agronegócio, e participa de conselhos e comissões representando a sociedade civil.

Com a mudança na legislação, ao assumir a presidência, em janeiro de 2018, Brancato viu as receitas serem reduzidas em 70%. Mas não reclamou, afinal de contas, lei é para ser cumprida, e, sabendo disso, tratou de agir. “As entidades precisam ter a dignidade de andar com as próprias pernas. Devem pensar e operacionalizar novas formas de obter receita. Nós, do SIRAN, tivemos que nos reinventar, correr atrás de outra maneira de nos mantermos”, afirma.

Para economizar, a sede do sindicato retornou ao recinto Clibas de Almeida Prado, que foi concedido pela prefeitura ao SIRAN por período de 20 anos. Aliás, o parque de exposições hoje conta com o maior e mais moderno complexo esportivo equestre da América Latina, graças a essa parceria firmada com o governo municipal de Araçatuba e com a ABQM (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha), para a realização das maiores provas nacionais da raça: Congresso do Cavalo Quarto de Milha, em abril; Campeonato Nacional do Quarto de Milha, em julho; Potro do Futuro, Copa dos Campeões, Derby e Juvenil, em outubro.

O prefeito de Araçatuba, Dilador Borges, ressalta a determinação de Brancato como ponto forte de sua gestão. “Ele tem conduzido os trabalhos do SIRAN unindo a força da sua jovialidade e a experiência de um grande administrador. Creio que a sua principal qualidade seja a capacidade de aglutinar forças, sem perder o norte. O sindicato sempre foi dirigido por grandes homens, e o Fábio está à altura do cargo que exerce. Por isso, as conquistas vão além daquelas próprias da categoria que ele representa. Os ganhos têm sido coletivos, para toda Araçatuba. Cito a ABQM como um exemplo. Quando se faz um trabalho grande, com grandeza, todos ganham”, finaliza Dilador.

Complexo Esportivo Equestre

Assim que Brancato assumiu a presidência do sindicato, começaram oficialmente as negociações com a ABQM. “O problema é que, naquela época, o recinto era cedido ao SIRAN por meio de um título de uso precário do governo paulista. Ou seja, poderia ser requisitado pelo Estado a qualquer momento, desalojando os eventos da ABQM. Foi quando procuramos o prefeito Dilador, que intercedeu politicamente junto ao governo do Estado e nos ajudou a conseguir o repasse da área à prefeitura, que, por sua vez, em dezembro do ano passado a concedeu por 20 anos ao SIRAN”, explica.

Os olhos do presidente da entidade brilham e a voz ganha tons de entusiasmo ao falar sobre o empreendimento. Não é para menos, o que hoje se vê no recinto é a materialização de um projeto que contou com a soma de esforços de muita gente e de instituições para dar certo. “Esse foi um grande empreendimento, no qual o SIRAN está investindo R$ 30 milhões, com potencial de retorno superior a R$ 36 milhões ao ano. Somos muito gratos ao (prefeito) Dilador, que esteve muito presente em todo esse processo, desde a época do Viol (Marco Antônio Viol, presidente do SIRAN de 2014 a 2017), sempre nos apoiando e se colocando à disposição para qualquer demanda nossa. O deputado estadual Cauê Macris também foi importantíssimo, assim como o (ex) governador Geraldo Alckmin. E jamais nos esqueceremos dos criadores de Quarto de Milha, Jamil Buchala Filho e José Macário Perez Pria, que foram os primeiros entusiastas da ideia das provas da ABQM virem pra cá. Sem cada uma dessas pessoas, nada disso teria acontecido”.

Em apenas três meses de obras, trabalho intenso de arquitetura e engenharia, procedimentos administrativos e financeiros, e muita expectativa, o complexo entrou em operação e desde então, já foi palco de dois grandes eventos da ABQM, além de ter recebido as provas do Campeonato Paulista de Apartação, promovido pelo núcleo regional da Anca (Associação Nacional dos Cavalos de Apartação).

O Complexo ocupa uma área de 200 mil m², o que corresponde a 51 campos de futebol. Três grandes arenas cobertas de provas, com 6 mil m² cada uma, e outras três de aquecimento estão entre as construções. Além delas, foram construídos desembarcadores, lavadores e banheiros; as ruas foram pavimentadas em concreto, para a melhor comodidade dos animais, competidores e espectadores.

Revitalização e ampliação

“Desde o projeto até a execução, sempre tivemos como base as futuras instalações, pois as benfeitorias atuais são apenas as primeiras de uma série de outras. Em nossos projetos hidráulico e elétrico, na execução, já pensamos e dimensionamos de uma forma seja possível ampliar as redes no futuro. Ou seja, nas próximas fases, não será necessário alterar o que já foi feito”, explica o também engenheiro civil e sócio proprietário da empresa de engenharia que gerenciou as obras, Leandro Amaral.

O recinto também conta com dois bosques, que foram totalmente revitalizados. Um deles, nomeado Bosque do Centenário, foi criado em 2008 (ano em que Araçatuba completou um século de fundação), e o outro, Bosque do Cinquentenário da Expô, inaugurado no ano seguinte. Juntos, ambos ocupam uma área de aproximadamente meio hectare (5 mil m2), e contam com mais de 600 árvores de várias espécies. Os dois espaços foram criados pelo sindicato na gestão de Alfredo Ferreira Neves Filho (2006 – 2009), exatamente com a finalidade de preservar o meio ambiente.

Brancato explica que a revitalização fez parte do projeto de instalação do complexo de provas equestres. “Além da identificação das árvores, fizemos calçadas no meio dos bosques, dividindo o local em seis quadrantes, e também colocamos bancos, para que o público utilize o lugar como espaço de convivência. Oferecemos aos visitantes do recinto uma área acolhedora e com um forte componente de educação ambiental”.

Desde que foi inaugurado, em julho deste ano, o Complexo Esportivo Equestre foi palco de importantes competições do Estado e do Brasil. Os dois eventos promovidos pela ABQM atingiram recordes de público (mais de 15 mil pessoas por dia), inscrições (aproximadamente 16 mil inscrições), competidores (2.790) e animais (4.598). Os leilões comercializaram mais de 400 cavalos da raça QM, por montante superior a R$ 25 milhões. Além disso, Prefeitura estima que nos períodos dos eventos, a cidade movimente cerca de R$ 15 milhões, dentro e fora do recinto.

Cabe mais

Araçatuba é reconhecida nacionalmente como a Capital do Boi Gordo. O título, herdado das décadas de 1950 e 1960, deve-se à intensa atividade pecuária na região. O local símbolo dessa relação da cidade com o gado é a praça Rui Barbosa, também conhecida como Praça do Boi Gordo. Por mais de 30 anos, o local foi palco de diversas negociações envolvendo compra e venda do gado. Os pecuaristas da região também definiam o preço da arroba, no mercado nacional.

Agora, a cidade entra em uma nova era. A terra mais valorizada do Noroeste Paulista, passa a ser compartilhada por animais da raça equina mais versátil da qual se tem notícia, a Quarto de Milha. Mas, não se engane: se o plantel bovino não é numeroso como antes, por contingência do dinamismo do mercado, continuam aqui importantes nomes da pecuária nacional.

“Araçatuba quer ser a capital de todos os tipos de eventos. Estamos trabalhando para nos consolidarmos como a Capital Nacional do Quarto de Milha, e ir além disso, conquistar outras raças equestres, atraindo diversas vertentes do setor”, destaca Brancato. Sobre o futuro, ele é taxativo. “Há um longo e próspero caminho pela frente. Temos absolutamente tudo para que ele dê certo, a começar pela vocação para o agronegócio (que nunca perdemos), carro forte da economia regional e nacional”, finaliza.
Fonte: Marcelo Teixeira

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