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24/08/2017- Orgânicos: Mais qualidade na mesa e no campo


O consumidor pede produtos mais saudáveis, livres de agrotóxicos e o produtor atento busca atender a demanda. Com essa perspectiva de aproveitar oportunidades e alcançar mais valor agregado, 15 produtores de Guararapes participaram do Programa Tomate Orgânico desenvolvido pela Faesp/Senar, com o apoio do Sindicato Rural da Alta Noroeste, Prefeitura e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). A capacitação começou em março e terminou em agosto, durante esse período, dividido em cinco módulos, eles aprenderam sobre preparo do solo, plantio, condução da planta, controle de pragas e doenças, frutificação, colheita e beneficiamento.

A propriedade modelo, utilizada para desenvolver os trabalhos práticos, foi do produtor Roberto Yaji. Ele conta que já produziu tomate no passado e resolveu participar do programa por causa da demanda. Além disso, tem utilizado o conhecimento que adquiriu no manejo de orgânicos em sua horta, com outras culturas, e pretende produzir o tomate cerejinha, que considera mais rústico.

Outro participante que pretende investir na produção da espécie é Luiz Carlos Nalin. “Atualmente, não trabalho com tomates em minha propriedade, só hortaliças, mas pretendo começar investir no rasteiro. O aprendizado foi muito bom, porque a gente pensa que sabe das coisas e no final vê que não sabe”, conta.

Renato Pulli, engenheiro agrônomo e instrutor do Senar, explica que foram seis variedades de tomate orgânico cultivados durante o período: cerejinha, italiano, saladete, caqui, santa cruz e santy. O sistema trabalhado foi o envarado, também conhecido como conduzido, as variações escolhidas são de consumo em mesa e não industrial. Um pé de tomate envarado pode chegar até a dez metros, mas para produção, o aconselhável é trabalhar em torno de até 4 metros.

“Nada impede de cultivar o tomate rasteiro, normalmente utilizado pela indústria, e que é de crescimento determinado, não ultrapassando 1 metro.  Esses tipos de tomate foram trabalhados para que o produtor avaliasse com qual se adaptaria e em que mercado pretenderia atuar”, disse Pulli.

A área utilizada para o programa foi de aproximadamente 400 m², com uma média de 600 tomateiros, cada um com potencial para dar até 10 quilos do produto. Porém, o grupo trabalhou com uma expectativa de seis quilos por planta.

O instrutor detalha as diferenças do cultivo orgânico e o convencional. “Alguns falam: eu duvido produzir tomate, que tem uma grande incidência de pragas e doenças, sem veneno. Na verdade, não é que não usamos venenos, é que os produtos que utilizamos não levam esse nome, porque são naturais. Por exemplo, temos fungos para combater pragas de parte aérea, fungos para combater outros fungos na parte de solo e bactérias para controlar lagartas”, explica o instrutor. Os benefícios não são apenas para quem consome. Segundo o especialista produzir orgânicos traz mais qualidade de vida para o produtor. “No sistema convencional os agrotóxicos têm uma função acumulativa no organismo. Então, muitas vezes, o produtor vai acumulando a contaminação que sofre durante a pulverização. No momento ele não sente, mas infelizmente a longo prazo causa danos à saúde”, orienta.

Para culturas tidas como anuais, o tempo médio para se conseguir um certificado de orgânico é de um ano. Hoje, existem programas voltados para fomentar a venda de pequenas propriedades e que demandam os produtos para merendas escolares. Com isso, o preço do produto  diferenciado pode chegar a 30% a mais, em comparação ao convencional. 

Fonte: Micheli Amorim / Facilita Conteúdo

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